México

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México

Em Santa Teresa decidimos que íamos apanhar um voo de San José para Cancun no México, uma vez que a viagem de autocarro não nos compensava.

Depois de chegarmos a Cancun apanhamos um colectivo, uma carrinha táxi que, como o nome indica, leva várias pessoas e faz várias paragens. Para nossa tortura todas essas paragens foram feitas antes de nos deixarem e tivemos oportunidade de ver todos os sítios incríveis onde não iríamos ficar, grandes resorts de luxo onde o seguinte, por norma, conseguia ser ainda melhor que o anterior.

Depois dessa tortura psicológica chegamos ao nosso humilde hostel bastante afastado da zona hoteleira e das praias.

Rapidamente percebemos que os preços eram bem mais acessíveis do que na Costa Rica e que havia imensa coisa para se ver e fazer, Cancun era realmente o paraíso que vemos nas fotos e em época baixa podemos fazer tudo por praticamente metade do preço.

Foi o que aconteceu na tour que fizemos a Chichén Itzá, por transporte, guia durante toda a viagem, visita a dois cenotes (rios subterrâneos), almoço buffet, visita a Chichén Itzá e a Valladolid pagamos $45.

Depois de alguns dias longe de tudo percebemos que nos ficaria mais barato mudarmos para um hostel mais perto da praia e foi aí que eu conheci o México.

México é areia colada na pele, é termos os lábios salgados da água do mar, são picadas de mosquitos ninjas, são pés descalços, é a vida sem pressa de ser vivida e é onde as pessoas se escondem da vida que já não querem, ou sabem, viver.

O Bobby era um senhor Americano com os seus 60 anos, era solitário e isolava-se com a sua cadeira de plástico branco junto ao seu cenote, a piscina que tínhamos no hostel. Ficava lá horas, às vezes a observar quem estava à volta, outras a ler, outras a dormir mas sempre com o seu livro entreaberto na mão e outras só com um olhar vazio de quem olha para trás na vida sem grande saudade.

Uma dessas vezes levantou-se da sua cadeira com a determinação de alguém que quer mudar o mundo e foi buscar uma grande mala. Dentro dessa mala tirou um piano que montou com cuidado, sentou-se na sua cadeira de sempre e começou a tocar e cantar. Ele era bom, realmente bom, mas ninguém parecia interessado em ouvir. Poucas músicas depois parou. Não houve aplausos. Voltou a guardar aquilo que parecia ser uma grande parte dele e sentou-se novamente no seu canto.

Eu fiquei a sentir-me super mal, senti que ele pensava que a sua arte não era reconhecida e apreciada e quis fazer algo para mudar isso. Fui ter com ele e agradeci-lhe, agradeci ter tocado para nós e que tinha gostado muito de o ouvir. Ele não estava a contar, ficou meio atrapalhado e sem saber o que dizer, agradeceu timidamente e eu deixei-o retomar a sua leitura.

No dia seguinte, logo pela manhã, perguntou-me como me chamava e, depois de tentar pronunciar “Sára” algumas vezes, disse-me: “É para pessoas com tu que eu toco”. Foi a minha vez de ficar sem jeito. “Ando neste mundo à procura de diamantes e tu és um”, continuou, eu sorri e agradeci num misto de “missão cumprida” e de timidez.

A partir desse dia ficamos amigos, tivemos boas conversas, trocamos private jokes, ele ensinou passos de dança ao Eduardo (que também é um diamante), que por sua vez lhe ensinou português, trocamos ideais de vida, falamos de valores, da nossa vida pessoal mas nunca, nunca, nem depois de lhe perguntar diretamente, ele me contou se tinha mulher e filhos.

O Bobby também é um diamante e tornou-se uma grande parte do que é o México para mim. Não se esqueçam de ser diamantes, é deles que o mundo depende para continuar a girar.

Sara Teixeira