Panamá

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Panamá

Depois de Capurganá embarcamos numa viagem de 4 horas de barco para o Panamá, primeiro com paragem em Puerto Obaldía para carimbar o passaporte.

Íamos a 2 ilhas do arquipélago de San Blas, território dos Kuna Yala, índios que ainda mantêm viva as suas tradições, onde as mulheres têm a autoridade sobre a família, cuidando do lar e fazendo as funções básicas, sendo no artesanato que elas de destacam, tecendo as molas, que são panos coloridos com desenhos que refletem o seu dia a dia. Elas são super vaidosas, usam adornos em ouro, braceletes e colares coloridos, ficando para o homem a tarefa da pesca e do comércio. A moeda usada é o côco, com a qual eles conseguem comprar muitos produtos dos barcos colombianos que passam com frequência no local.

A canoa é o meio principal de transporte entre as ilhas e raramente usam barco a motor, não existe electricidade, rede e muito menos internet, com sorte em algumas ilhas existem sanitas e água doce para tomar banho.

Quando chegamos as crianças e mulheres foram juntando-se aos poucos para nos verem, olhavam-nos como se fossemos criaturas vindas de outro planeta (o que não é de certa forma descabido) e falavam entre elas em dialecto, em San Blas poucas são as pessoas que falam espanhol e das que falam a maioria são homens. Nessa noite ficamos numa palhota junto ao mar sem electricidade, apenas umas lanternas que pouco ou nada iluminavam e muitas baratas. Felizmente as baratas não tardaram a desaparecer com a tempestade que se instalou e não estávamos nada incomodados com isso até começar a chover dentro da palhota, foi uma noite mais longa do que o habitual e pela manhã partimos em direcção a outra ilha.

Fomos recebidos da mesma forma, com um misto de surpresa e curiosidade e depois de nos mostrarem onde íamos ficar a dormir, o mesmo tipo de palhota, mostraram-nos a casa de banho ou o que ali representava uma, um buraco que dava directamente para o mar (ver video na nossa página de facebook).

Depois de almoçarmos, frango frito com platano, um primo da banana mas maior e que só se come cozinhado, levaram-nos para a ilha onde iríamos fazer praia, uma mini ilha deserta onde estivemos 4 longas horas.

Ao regressarmos disseram-nos que tínhamos de mudar de ilha se queríamos ir para Panamá City no dia seguinte. Mais uma viagem de barco depois chegamos a Mula a última ilha onde iríamos ficar, não tinham quarto para nós por isso improvisaram um com camas de rede ali mesmo no porto. Embora camas de rede possam ser confortáveis por uma hora isso deixa de ser verdade ao fim de muitas.

Estes 3 dias com os Kuna ensinaram-nos que sanitas foram uma invenção incrível, baratas têm medo de trovoada, chinchorros não são sinónimo de cama e que viver com uma tribo de índios nos faz voltar atrás no tempo e sentir que estávamos numa espécie de museu onde também nós fazíamos parte da história.

Sara Teixeira