EUA

Califórnia

Califórnia

Se achávamos que as 16 horas de autocarro de NY para Chicago tinham sido intermináveis as 48 horas entre Chicago e LA não têm um adjectivo que lhes faça justiça. Chegámos mais uma vez sem ter onde ficar mas sabíamos de um hostel em Venice que em troca de trabalho dava cama e comida por isso era para lá que íamos.

Estávamos na paragem à espera do primeiro dos dois autocarros que tínhamos de apanhar quando um carro parou junto a nós e nos perguntou se queríamos boleia, assim do nada, uma rapariga pouco mais velha do que nós, com um ar simpático e vontade de ajudar, disse que gostou das nossas mochilas e que foi isso que a fez parar, em LA não havia Decathlon e ela gostava muito da loja desde que tinha estudado em Italia. (À Decathlon o nosso muito obrigado por existir por toda a Europa)

Deixou-nos a meio do caminho e seguiu viagem poupando-nos cerca de uma hora e tal de viagem na hora de ponta em LA. Apanhamos o segundo autocarro até Venice, uma zona de praia bastante conhecida por toda a California, chegamos ao hostel e depois de preenchermos uma espécie de cv disseram-nos que não estavam interessados em instruir pessoas para trabalhar lá que não ficassem mais de um mês.

Felizmente o plano B não tardou a surgir quando nos responderam no couchsurfing, um senhor que vivia numa autocaravana podia-nos receber. Depois de passarmos o dia em Venice voltamos para o centro de LA onde iríamos passar a noite.

Ao fim da tarde encontramo-nos com o Fernando, tinha dupla nacionalidade, Americana e Brasileira, e era um ser humano bastante peculiar. A sua autocaravana para nós foi a melhor coisa que nos podia ter acontecido mas havia algumas regras a ter em consideração, tudo ali era finito por isso tínhamos de ter um cuidado redobrado no que diz respeito a água e luz. O Fernando vive uma vida simples, com o mínimo possível e é do tipo de pessoa capaz de tirar de si próprio para dar aos outros.

Para nos dar uma cama dormiu no chão e quando lhe dissemos que podíamos perfeitamente ser nós e não ele a ficar no chão, que não seria a primeira nem última vez, sentiu-se um pouco ofendido e disse-nos que tínhamos de aprender a aceitar a generosidade dos outros sem sentir necessidade de retribuir.

O Fernando está constantemente a tentar melhorar-se, para ele é importante sentir que fez a parte dele no mundo e foi verdadeiramente uma lição de vida para nós em muitos sentidos. Com ele aprendi que é bom exigirmos mais de nós próprios mas também que tudo o que é exagero cai em extremismo e que é bom aceitarmos as nossas limitações enquanto seres humanos, sermos menos exigentes connosco e com os outros, aceitarmos as falhas, as coisas menos boas e aprendermos a viver com elas, não por nos contentarmos com menos, não por ser mais fácil mas porque acredito que as falhas, os defeitos, as coisas menos boas, nos tornam mais reais e porque sei que parte do encanto de nos darmos a alguém pressupõe que nos aceitam no nosso todo, aprendi a aceitar a bondade dos outros, sem qualquer obrigação apenas pura generosidade mas sobretudo aprendi que é possível encontrar uma casa longe de casa quando existem pessoas com a capacidade de nos receber como família.

Em LA vale a pena visitar Venice, é uma zona mais alternativa mas bastante agradável, as praias são óptimas e nesta altura do ano não têm praticamente ninguém, o areal é grande e a água morna povoada de surfistas, tem uma zona comercial e turística ao longo de toda a praia e todo o tipo de arte de rua.

Santa Mónica que vem logo a seguir é uma zona mais familiar, a praia tem mais gente e tem o seu conhecido Pier com um parque de diversões, comércio, zonas de restauração, arte de rua e o sinal da route 66 que termina lá.

Têm ainda o famoso Hollywood Sign, o passeio da fama e o observatório lá perto que vale a pena visitar pelo pôr do sol.

O Lake Shrine Temple que infelizmente não conseguimos ver porque chegamos tarde e já estava fechado mas disseram-nos que é muito bonito e definitivamente algo a visitar.

Sara Teixeira