EUA

Chicago

Chicago

Depois de nos despedirmos de NYC e após 16 intermináveis horas de autocarro chegamos a Chicago, Illinois. Chegamos cansados, com o fuso horário (novamente) trocado, com fome e com as nossas crianças obesas às costas, as mochilas. Como não tínhamos onde passar a noite começamos a ponderar a possibilidade de dormirmos na estação, não era o ideal mas era o mais seguro e era de graça. Quando já nos estávamos a habituar à ideia fomos salvos pelo Matt, que generosamente nos convidou a passar a noite em casa dele (o couchsurfing é uma coisa fantástica). Deu-nos a morada e uma horas depois chegamos a uma zona familiar, nada a ver com a confusão da cidade, cheia de casinhas amorosas com alpendres e cadeiras de baloiço daquelas que nos dá vontade de lá ficar a ler um livro e a acenar à vizinhança.

O Matt veio receber-nos à porta com um sorriso e uma amabilidade fora do comum, mostrou-nos o sofá onde iríamos ficar e convidou-nos para irmos a um open mike onde habitualmente ia com os amigos, inteligentemente decidimos ir e foi incrível.

Pouco tempo depois de chegarmos ao bar já toda a gente sabia quem éramos e o que estávamos lá a fazer, aconselhavam-nos, faziam-nos listas do que ver e fazer na cidade ou então vinham só falar connosco e partilhar um bocadinho da sua historia também e sem contarmos naquele pequeno bar nos arredores de Chicago sentimos um bocadinho de casa.

Voltamos de coração cheio, e sabíamos, agora, que nada naquela cidade poderia superar as pessoas que nela viviam, afinal o melhor dos sítios são as pessoas.

No dia seguinte visitamos tudo o que tínhamos anotado num papel rabiscado por outros na noite anterior, o Millennium Park, o Cloud Gate, o Grant Park, a Buckingham Fountain, o Lago Michigan, a Willis Tower, os esquilos e coelhos que há nas ruas, as Free Libraries que existem em alguns quarteirões e toda a envolvência da cidade em si.

O que começou por parecer uma falta de sorte acabou por ser o melhor que nos podia ter acontecido. A vida dá-nos sempre uma oportunidade, às vezes o problema está em saber reconhecê-la.

Sara Teixeira