Third Step – Leaving

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Third Step – Leaving

Um ano de consciencialização para a viagem não nos prepara nunca para o momento da partida. Para o momento das lágrimas camufladas com sorrisos, para os abraços que não queres largar, para o “até já” mais longo que o habitual, para a incerteza do que te espera do outro lado e por momentos o aconchego da tua casa começa a pesar e a rotina subitamente já não te parece tão má.

É normal duvidar, é normal no derradeiro “até já” questionar, afinal somos humanos e (in)felizmente não temos uma preparação, um rascunho, um esboço, para a vida que vivemos. Somos actores que entram em cena no primeiro ensaio, não existem falas decoradas, sentimentos ensaiados, atitudes planeadas, cada coisa é o que é, no seu estado mais cru, mais puro e é nessa premissa que reside a beleza da vida. A incrível realidade das coisas é o que faz com que a vida valha a pena ser vivida.

Partimos conscientes que muito pode mudar entretanto, que mesmo quando o plano é não ter plano podemos mudar de rumo e que o dinheiro pode não chegar, que podemos nem sempre actualizar-vos regularmente e com a qualidade que gostaríamos, que as saudades podem sufocar, que o cansaço pode ganhar à vontade de continuarmos, que o corpo pode não deixar e que o que era para ser uma viagem de um ano pode acabar antes.

Ainda que cheguemos ao final da nossa viagem sem cumprir com aquilo a que nos propusemos inicialmente tentar é sempre melhor do que viver na incerteza do que teria acontecido se não o tivéssemos feito.

Por vezes temos de partir para poder ficar.

Sara Teixeira